Com 6 aerovias e 100 aeronaves ao dia, Leite Lopes é o mais importante do Interior

aeronaves

Apesar do medo que alguns sentem de voar, não há dúvida. Nunca tantos voaram em Ribeirão. Entre 100 e 110 aviões de vários portes cruzam diariamente os nossos céus.

Apesar do medo que alguns sentem de voar, não há dúvida. Nunca tantos voaram em Ribeirão. Entre 100 e 110 aviões de vários portes cruzam diariamente os nossos céus.

O movimento envolve 38% de aeronaves comerciais, 61% de aeronaves em geral (pequenos, médios portes e helicópteros) impondo ao aeroporto Leite Lopes até 220 operações de pousos e decolagens.
A intensidade do tráfego aéreo coloca o nosso aeroporto em primeiro lugar entre os administrados pelo Daesp (Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo), seguido de São José do Rio Preto, Presidente Prudente e Bauru.

O Leite Lopes é também o quarto de maior movimento no Estado, ficando atrás apenas de Congonhas, Guarulhos e Viracopos, em Campinas.

Nossas aerovias

Seis aerovias riscam imaginariamente o céu de Ribeirão. Elas são seguidas à risca pelos pilotos da aviação comercial, civil e militar.

As aerovias inferiores, com largura de 30 quilômetros, estão a uma altitude mínima de 15 mil pés (cada mil pés corresponde a 300 metros) e máximo de 24 mil pés. Levam a letra W como iniciais e são chamadas de Whisky. São a W-13, W-19, W-30, W-32 e W-51. Podem ser de mão única ou dupla.

A única aerovia superior é a UP (Upper Zulu), que passa a 24.500 pés – altura mínima. O piloto tem autonomia, dependendo do aparelho, de voar mais alto. A UP tem 80 quilômetros de largura.

A W-13, integralmente de mão dupla, começa em Londrina, passa por Bauru, sobrevoa Araraquara, pousa em Ribeirão, sobrevoa Furnas e termina no aeroporto de Belo Horizonte.

W-19, mão dupla entre São José do Rio Preto e Ribeirão Preto, onde se torna mão única até Piraí (RJ) e terminar o voo no aeroporto do Galeão ou Santos Dumont, dependendo a companhia aérea.

A W-30, mão única, começa em São Paulo, sobrevoa Sorocaba, Rio Claro e pousa em Ribeirão. Se o avião prosseguir viagem, pega mão dupla com destino a Brasília, passando por Uberaba e Uberlândia.

No retorno, o voo Ribeirão-São Paulo sai em direção a Rio Claro e, em seguida, vai em linha reta para Guarulhos ou Congonhas, dependendo da companhia.

A W-32, mão dupla, nasce em Ribeirão Preto e sobrevoa Barbacena (MG), até pousar no aeroporto do Galeão (RJ) é mão simples.

A W-51, mão única de ponta a ponta. Nasce em Goiânia, pousa em Ribeirão, sobrevoa Pirassununga e termina em São José dos Campos.

Aerovia superior UZ

A UZ (Upper Zulu) nasce em São Paulo e sobrevoa Ribeirão a altura mínima de 24.500 pés. É para aeronaves que fazem voos nacionais e internacionais.

Um exemplo: quarta-feira passada, um voo da American Arlines, com destino a Memphis (EUA) sobrevoou Ribeirão Preto e Rio Preto.

Voo não monitorado

Não é raro algum piloto decolar de uma pista particular e chegar a Ribeirão Preto sem plano de voo.
Nesse caso, os órgãos de navegação aérea não sabem que ele está voando. Se houver algum acidente, não há como ativar o serviço de salvamento para socorrê-lo.

Por isso, é necessário ir pessoalmente ou comunicar-se com a sala AIS. Terá o voo monitorado do começo ao fim.
Mastrangelo Reino / Especial
Mineiro de Araguari e filho de militar, Ulisses Áreas é gerente do EPTA (Estação Prestadora de Serviços de Telecomunicações) em Ribeirão Preto (Foto: Mastrangelo Reino / Especial)

Sobre os pilotos que decolam em pistas de fazenda sem plano de voo, Ulisses Areas diz que “não ousaria dizer que não existem” mas admite que não tem estatística porque o órgão não toma conhecimento disso.

“Geralmente, decolam de aeroportos ou pistas que ficam fora de área, isolados. Num primeiro momento, sem burlar nenhum tipo de regra, ele poderia decolar sem plano de voo. Só o que antes de ingressar em qualquer área controlada, esse piloto tem que, compulsoriamente, fazer contato com nossas áreas de navegação para justamente receber orientação de voo e que possamos monitorá-lo”.

O piloto que decola sem plano, dependendo da aeronave, pode voar até 60 metros de altura, em terreno desabitado, em caso de helicóptero. Já um avião pequeno, em um quilômetro e meio de altitude.

Plano de voo na sala AIS

A sala AIS (Serviço de Informação Aéreo) é tida como o coração dos aeroportos. Em Ribeirão Preto, ela se localiza no prédio da Infraero. É com ela que o piloto tem a obrigação de fazer contato antes de levantar voo. A AIS é onde é apresentado o plano de voo.

“É na sala AIS que o piloto recebe as informações dos profissionais de meteorologia sobre a rota que ele pretende seguir. E qual será a situação climática nas próximas doze ou 24 horas”, explica Ulisses Dias de Lima Áreas, 32 anos, gerente do EPTA (Estação Prestadora de Serviços de Telecomunicações e Tráfego Aéreo).

É na sala AIS que o piloto checa a primordial informação sobre o estado do aeroporto que pretende se dirigir. Se está aberto ou fechado por razões climáticas ou outras questões que afetem a navegação.
“Nós não prendemos ninguém em solo a menos que o aeroporto de Ribeirão Preto esteja operando abaixo das condições de voo permitidas. Se o voo for visual, nós temos um mínimo de visibilidade horizontal (até cinco quilômetros) e visibilidade de teto (1.500 pés de altura, 450 metros aproximadamente) que é a distância do solo até a camada de nuvem mais baixa. Essa situação climática fecha o aeroporto e voo visual não decola. Nestas condições, só decolam aeronaves com instrumento”.

A regra também estabelece que se o aeroporto do destino do voo ou alternativa estiverem fechados, o piloto não poderá decolar. Se o piloto for surpreendido pelo mau tempo durante o percurso, deve procurar outra opção mais segura. Não raro, até mesmo retornar ao aeroporto de origem dependendo a distância das alternativas.

Segundo Ulisses, é de responsabilidade do piloto – em caso de voo visual – decolar em condições meteorológicas adversas.

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